Em
tempos de crise é muito comum ouvirmos que: "a empresa
X demitirá tantos funcionários", ou que "os brindes de final
de ano da empresa Y foram cancelados", e sabe porque isto
acontece?, acontece porque a maneira mais rápida de se preparar
para enfrentar a crise é reduzindo despesas. Há aqueles que ficam
temerosos com empresas que anunciam demissões ou divulgam cortes de
despesas, quando na verdade deveriam ficar satisfeitos com a gestão
das mesmas; é muito comum notarmos que após o anúncio de demissões
em massa ou reduções significativas de gastos, as ações destas
empresas sobem na bolsa, isto porque os agentes do mercado
reconhecem que o gestor desta empresa está tomando providências
para proteger seus acionistas.
Agora, traduzindo tudo isto em economia
doméstica, não deve ser em nada diferente do que se faz em uma
empresa, a atuação que os indivíduos devem ter com relação a sua
vida financeira. Infelizmente, nestes momentos de crise é muito
comum que saibamos de casos muito próximos a nós, isto quando não
atinge a nós mesmos, a situação do desemprego. Quando este momento
chega, é preciso estar muito bem preparado para lidar com o tempo
de realocação. Tudo bem que se o funcionário possui as
benesses da CLT como o FGTS e o seguro-desemprego, esta situação é
amenizada, porém, se este mesmo indivíduo conseguiu fazer uma
poupança ao longo dos anos trabalhados fica até
psicologicamente mais fácil encontrar esta realocação em um espaço
de tempo mais curto.
Aí
você me pergunta:"como juntar dinheiro numa situação como esta? Em
primeiro lugar é necessário que haja interesse em fazer um
planejamento financeiro familiar, (vale salientar que esta opção
se aplica melhor a quem tem renda familiar média de R$
500,00 por pessoa, porque é sabido que com menos do que isso não
tem planejamento que ajude).
Primeiro passo:
Colocar as despesas na ponta do lápis.
Cria-se uma coluna com Despesas Fixas Mensais:
Aluguel, condomínio, plano de saúde, IPTU, conta de energia, de
água, de telefone (separar o convencional do celular), custos com
juros (se houver), escolas, combustível, etc... No lado oposto uma
coluna, que infelizmente é sempre menor na maioria dos casos
Recebimentos
Mensais, se já no primeiro mês as receitas forem
maiores que as despesas você também pode criar a coluna
Despesas
Eventuais, caso contrário espere para que este fato aconteça
para criá-la.
Desta forma, você terá na palma de sua mão toda a sua
vida financeira e saberá se pode sair no final de semana para
jantar, ou se é melhor sacrificar-se, jantando na varanda ou
no terraço de sua própria casa (continuará sendo fora de casa mas
com despesa muito menor).
A medida em que sabemos onde estamos gastando, temos
o poder de descobrir por que termina faltando o principal, aquilo
que não pode ser economizado e que termina nos empurrando para o
cartão de crédito, cheque especial ou pior, para o
agiota.
É
preciso muita determinação para começar e manter este planejamento
ativo, escrevo com autoridade sobre o assunto, pois, há 14 anos
atrás aconteceu a minha última utilização de cheque especial e este
planejamento me proporcionou num primeiro momento não pagar juros a
mais ninguem, depois, a fazer uma economia em fundos de
investimentos, até conseguir comprar minha casa e ter uma vida
regrada sempre tendo, como despesas fixas, no máximo 70% de
meu salário.
O
seu tempo pode ser maior ou menor do que o meu para atingir este
objetivo, o que não pode ser diferente é a determinação, pense que
pagamento de juros é o dinheiro mais mal gasto que você pode
ter, pois ele não se materializa, você não compra juros, você
simplesmente paga
juros, por isso seus maiores inimigos para acertar estas
contas são: Cheque especial, Crediário e Cartão de Crédito, mais
conhecidos como a Malditíssima
Trindade.